Prefeitura manda reutilizar seringa enquanto banca show de R$ 15 milhões no Rio

_Denúncia foi feita pelo vereador Poubel ao criticar falta de insumos em unidades de saúde_

Prefeitura manda reutilizar seringa enquanto banca show de R$ 15 milhões no Rio
Já Poubel elevou o tom das críticas ao questionar a prioridade dos gastos públicos. "Não sou contra eventos, mas como falta dinheiro para o básico?", perguntou.

Uma denúncia feita pelo vereador Poubel (PL) acendeu o alerta sobre a situação da saúde pública no Rio de Janeiro. Durante sessão plenária na Câmara Municipal, afirmou que pacientes estariam sendo orientados a reutilizar seringas por falta de insumos na rede municipal, enquanto a prefeitura prevê gastar cerca de R$ 15 milhões em um show da cantora Shakira.

"Eu só acredito vendo. E vendo, eu não acreditei", disparou Poubel ao relatar visitas a unidades de saúde. Segundo ele, o cenário encontrado é de abandono: falta de medicamentos, escassez de materiais básicos e condições precárias de atendimento. A crítica ganhou ainda mais peso ao mencionar a orientação atribuída à Secretaria Municipal de Saúde para que pacientes reutilizem seringas de insulina por até três vezes, prática que, segundo o vereador, pode provocar infecções graves.

A fala gerou repercussão nas redes sociais e foi reforçada por especialistas. Em vídeo amplamente compartilhado, o microbiologista Bruno Brunetti questiona a segurança da medida e alerta para os riscos sanitários. Ele destaca que o uso repetido de seringas compromete a esterilidade do material e pode levar à contaminação direta do organismo, com possibilidade de infecções severas e até morte.

A recomendação, de fato, consta em documento oficial da Secretaria Municipal de Saúde, publicado em 9 de abril de 2026. O texto autoriza, em caráter excepcional e temporário, a reutilização da mesma seringa pelo próprio paciente em até três aplicações, diante de um cenário de estoque crítico. Apesar de estabelecer regras de higiene e armazenamento, o próprio documento reconhece o caráter emergencial da medida.

Para especialistas, no entanto, a orientação levanta dúvidas sobre a viabilidade no dia a dia dos pacientes. A perda de esterilidade após o primeiro uso é apontada como um risco invisível, já que mesmo com cuidados, micro-organismos podem se proliferar e contaminar tanto o paciente quanto o próprio medicamento.

Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a medida foi adotada de forma temporária para evitar a interrupção do tratamento de pacientes diabéticos, diante do desabastecimento. A pasta afirma que a situação será normalizada assim que o fornecimento de seringas for restabelecido.