Denúncia à Polícia Federal: Diretor de Escola relata pressão para desviar R$ 200 mil para campanha de filha de deputado.
Um diretor de escola estadual na Região Noroeste Fluminense revelou à Polícia Federal ter sofrido forte pressão para liberar R$ 200 mil dos cofres do colégio. De acordo com o servidor, o montante seria destinado ao financiamento da campanha eleitoral de Thamires Rangel, filha do deputado estadual Thiago Rangel (Avante) — preso durante a quarta fase da Operação Unha e Carne.
A denúncia, que consta nos autos da investigação, detalha um esquema de cobrança de propina dentro da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc). O funcionário público relatou que o próprio parlamentar participou de uma videochamada para coagi-lo a autorizar o repasse.
O "MODUS OPERANDI" DA FRAUDE E COAÇÃO
O plano consistia em retirar o dinheiro diretamente da conta da instituição de ensino por meio de uma nota fiscal de serviços fraudulenta, com a promessa de que o valor seria devolvido duas semanas depois.
— "Houve muita pressão para que eu fizesse a transferência, mas me neguei. Tenho provas dessa ligação, mas afirmo que não gostaria de comprometer meu nome por medo do que podem fazer comigo e minha família", declarou o servidor na denúncia anônima anexada ao inquérito.
Após a primeira recusa, as cobranças tornaram-se mais agressivas. O assessor parlamentar de Thiago Rangel, Luis Fernando Passos de Souza (conhecido como “pastor”), realizou uma chamada de vídeo e virou a câmera em direção ao deputado. Na ligação, Rangel insistiu na liberação da verba, garantindo que o diretor "poderia pagar sem problemas" e prometendo o envio de novas emendas para outras etapas das obras. A PF aponta Luis Fernando como o operador financeiro do grupo criminoso.
O diretor ressaltou que as pressões ocorriam via WhatsApp e exigiam o adiantamento dos recursos em parcelas de 30%, 40% e 30%, antes mesmo do início das reformas. Diante da insistência, o servidor reuniu o conselho escolar e registrou em ata que nenhuma quantia seria paga antecipadamente. Foi essa decisão que motivou a ligação direta do deputado.
"CANSADO DE TANTA CORRUPÇÃO"
Além da pressão direta, o diretor soube por empresários do setor que o esquema exigia propina de 30% sobre a venda de mercadorias para as escolas. Diante do cenário, o funcionário pediu exoneração do cargo, afirmando estar "cansado de tanta corrupção".
O dossiê da PF, enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), aponta que a organização criminosa direcionava as obras de reformas escolares no Norte e Noroeste Fluminense para empresas pré-selecionadas, que depois repassavam parte das verbas públicas aos envolvidos. Os investigadores acreditam que o esquema se expandiu na Seeduc logo após a eleição de Rangel para a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
A denúncia do diretor é classificada pela PF como "repleta de detalhes" e totalmente convergente com as descobertas da Operação Postos de Midas (2024). Essa investigação anterior já apontava uma evolução patrimonial suspeita de Thiago Rangel: em 2020, ao disputar o cargo de vereador em Campos dos Goytacazes, declarou bens de R$ 224 mil; em 2022, ao se eleger deputado estadual, seu patrimônio saltou para mais de R$ 1,9 milhão.
Durante a análise do celular apreendido do deputado, a Polícia Federal encontrou um vídeo que exibe uma mala cheia de dinheiro vivo, somando cerca de R$ 500 mil. A suspeita é de que o valor alimentaria um esquema de caixa dois para as eleições municipais de 2024 em Campos dos Goytacazes.
A PF suspeita que essa quantia faça parte de uma engrenagem financeira maior, estimada em R$ 2,9 milhões, voltada para apoiar o grupo político do parlamentar, incluindo a campanha de sua filha e de aliados na região. O ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), também é investigado por suposta participação na articulação desses repasses, mas nega qualquer irregularidade.
O QUE DIZ A DEFESA DE THIAGO RANGEL
Em nota oficial, a defesa do deputado estadual Thiago Rangel sustentou sua total inocência e criticou a cobertura jornalística, alegando que as acusações da PF vêm sendo replicadas pela imprensa de forma "acrítica". Os advogados afirmam que a investigação se baseia puramente em uma denúncia anônima sem verificação prévia e com alegações falsas.
A defesa negou a existência de um operador financeiro e o recebimento de propinas. Justificou que os valores em espécie encontrados são oriundos das atividades empresariais legítimas de Rangel no ramo de postos de combustíveis — setor conhecido pela grande circulação de dinheiro vivo.
Por fim, os advogados repudiaram o vazamento de documentos que correm sob sigilo de Justiça, classificando o ato como criminoso e uma tentativa de promover o linchamento virtual e a "condenação prematura" do parlamentar perante a opinião pública.
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Fonte: Mídia Informal



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